Nova reportagem do Correio sobre o caso
POLÊMICA
A Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) ainda não decidiu se vai instalar inquérito administrativo para apurar denúncias de racismo contra o professor Paulo Kramer. Enquanto isso, o assunto continua sendo tema de discussões entre alunos e professores. Ontem, uma fita com a gravação da última aula que o professor deu ao grupo de alunos que o denunciou começou a circular na internet.
No arquivo, gravado por um aluno do mestrado de ciência política que não quis se identificar, Paulo Kramer afirma que continuaria a falar crioulada e chama o estudante Gustavo Amora de racista negro e Ku-Klux-Klan às avessas. O professor usou como argumento a defesa da liberdade de expressão e que Gustavo está agindo segundo uma agenda politicamente correta. Eu estou aqui falando em nome da liberdade de expressão, um direito que eu defendo para mim e para os outros, muito embora alguns queiram esmagá-lo, afirma Kramer. O professor diz que é uma presa fácil do politicamente correto, mas que não foge do conflito.
“Caso seja comprovado que houve racismo por parte do professor Paulo Kramer, acredito que ele não terá condições de permanecer na UnB”, opinou o colega de profissão e também professor, Luis Felipe Miguel, 39 anos. Ele trabalha no Instituto de Ciência Política há 11 anos e afirma que rumores sobre a opinião de Kramer a respeito das minorias circulavam pelos corredores da faculdade há alguns anos. “Um discurso racista, da forma como foi relatado, já é grave, mas quando feito por um professor é pior ainda. É preciso que se faça uma investigação séria para constatar o que realmente ocorreu”, argumentou.
O caso começou com a formalização de uma denúncia das atitudes do professor em sala de aula feitas pelos alunos na reitoria da UnB, que provavelmente só será resolvido na justiça. Indignado com as acusações de racismo, Kramer promete pedir, judicialmente, reparação no valor de R$ 3 milhões pelos danos causados à sua imagem. Os estudantes afirmaram que preferiam resolver o problema dentro da própria universidade, mas que também abrirão processo contra o professor pelo crime de racismo, se ele tomar essa atitude.
A estudante Danusa Marques, 23 anos, faz parte do grupo de seis mestrandos que oficializou as denúncias contra o professor. “Ele tem fama de ser intolerante. Todos admitem que ele tem uma incontinência verbal que ultrapassa os limites do tolerável”, defende. O grupo queria que o Instituto de Ciência Política (Ipol) fizesse uma nova turma para que os seis alunos pudessem concluir a cadeira de teoria política moderna com outro professor. “Não conseguimos isso. Mas o Ipol está nos oferecendo a oportunidade de fazer uma prova escrita que será corrigida por outros professores”, disse.
Apesar do assunto ser evitado dentro das salas de aula, ele toma conta das conversas do lado de fora. “Entre os alunos da graduação, as discussões têm sido muito intensas. Há quem defenda o professor e diga que os comentários fazem parte do jeito descontraído dele e tem aqueles que acham um absurdo as coisas que ele fala e que já tinha passado da hora de alguém fazer alguma coisa”, contou um dos coordenadores do Centro Acadêmico (CA) de Ciências Políticas, Bruno Nogueira. Assuntos como racismo e sistema de cotas também acirram as discussões. Muitos estudantes chegaram a procurar o CA para pedir uma assembléia para debater a questão de forma mais ampla.
Internet A discussão sobre racismo na UnB não é recente. No ano passado, uma comunidade do Orkut – site de relacionamentos – passou a ser investigada pela Justiça devido a várias manifestações contra negros e afrodescendentes. Opositores da política de inclusão racial da universidade usavam palavras agressivas e ofendiam os alunos que entravam nos cursos pelo sistema de cotas.
----------------------------------------------------------------------
Colaborou Érica Montenegro
Editor: Samanta Sallum // samanta.sallum@correioweb.com.brSubeditores: Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco e Wilmar Alvese-mail: cidades@correioweb.com.brTels. 3214-1180 • 3214-1181


0 Comments:
Postar um comentário
<< Home